
O som de algumas gotas de água caídas do tecto acompanhavam a banda sonora escolhida para a cena. No centro da sala, uma luz incandescente caia sobre um homem cabisbaixo, sentado numa cadeira. Parecia estar a dormir. Por azar, tinha exactamente por cima da cabeça uma infiltração que estava a danificar por completo o seu penteado de galã dos anos 50 - o que era anteriormente uma obra de arte, era agora uma pasta asquerosa de laca, musgo e água.
A sorna do hóspede estava para durar, não fosse o som da melodia de fundo, dirigida pela orquestra sinfónica dos Ratatouille do Eliseu, ter aumentado de tom. O homem começava a acordar. Apesar de ainda meio inconsciente, olhou para todos os lados, questionando-se que lugar seria aquele, como tinha ido ali parar e porque raio estaria o Presidente da França sentado sem fazer "ne pa de nada" numa cadeira reles, com tanto trabalho à sua espera na poltrona dourada do seu escritório. Levantou-se. Dirigiu-se à porta de saída. Estava trancada. No entanto, assim que puxou a maçaneta, uma televisão acendeu-se na outra extremidade da sala. "Que estranho. Porque raio está uma televisão nas catacumbas do Eliseu? Ainda por cima sem TV por cabo e com chuviscos." - pensou Sarkozy. Cinco segundos e uma figura bem sua conhecida apareceu no ecrã: o Pinóquio.
"Olá. Isto é um jogo. E só te safas se o jogares." - explicou o boneco. "És um homem casado... não é suposto andares a trabalhar por fora, com um senhora de idade, para ganhares uns trocos - a ultima vez foram 150 mil euros." - advertiu Pinóquio. E continuou. "Não reparaste, mas atrás da cadeira onde estavas sentado existe um mini salão de cabeleireiro. Tens já uma cliente sentada e pronta a ser satisfeita. Só tens de usar os produtos e instrumentos disponíveis em cima da mesa para lhe criares um novo look." - disse. "Tens 5 minutos para executares a tarefa. A cliente terá de dizer "está perfeito", quando terminares, para accionar a fechadura da porta que vos tira daqui. Boa sorte!" - concluiu Pinóquio.
Sarkozy estava aterrorizado. "Era mais fácil sacar dinheiro a uma idosa do que pentear uma senhora com ar de primeira-dama." - pensou ele. Mas pôs mãos à obra. Pegou no secador, no pente e na tesoura e lá foi criando um penteado à maneira à senhora mistério, que tinha uma máscara colocada, tornando-a irreconhecível. Umas tesouradas aqui, umas penteadelas ali e voilá, estava perfeito. Agora o toque final: um pouco da laca que estava em cima da mesa. Dizia L'Oréal na frente da embalagem. "Bem, se é da idosa dos 150 mil euros, então deve ser de qualidade." - pensou "Sarkozas", como era tratado pela sua querida esposa. E sem pensar duas vezes usou o produto na cabeça da senhora. No entanto, depois de o ter feito, reparou num fio de cabelo de cor diferente que saia da cabeça da sua cobaia. Mesmo no meio da nuca da cliente, estava um cabelo branco que, por ser único, ele reconhecia perfeitamente. "Carla?! És tu?" - exclamou Sarkozy. A mulher não respondeu... estava inconsciente. Mas o cabeleireiro da "Mula Ruja" tinha a certeza. Só a primeira-dama tinha aquela "marca".
Sarkozy estava ainda mais aflito. Mas o pior ainda estava para vir: a obra de arte que tinha acabado de fazer estava a desfazer-se à frente dos seus olhos. Os cabelos de Carla Bruni não passavam de uma miragem. Estava carequinha como a cabeça de Henry.
Os 5 minutos estavam mesmo a terminar. A máscara da cara de Carla caiu. A primeira-dama acordou e olhou-se ao espelho. "Sacrebleu!" - exclamou, aterrorizada. O sonho de Sarkozy em sair dali com vida estava desfeito. Carla saiu da cadeira, aparentemente calma, chegou perto do seu marido e... apertou-lhe o cou (o nosso Zé Povinho leria cu).
Era caso para dizer que a L'Óreal tinha acabado de deitar abaixo o Presidente da França!
Sem comentários:
Enviar um comentário