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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Saw 6 - Cap. II: O terror de Sarkozy


"Allons enfants de la Patrie, Le jour de gloire est arrivé!", ouvia-se em barulho de fundo, numa sala escura, nas catacumbas do Palácio do Eliseu. O hino nacional francês era cantado por uma melodiosa voz feminina, mas apresentava algumas falhas. Estava a ser emitido por um sistema de som bastante antigo, que juntava à musica um ruído que mais fazia lembrar uma ninhada de ratos acabada de parir.

O som de algumas gotas de água caídas do tecto acompanhavam a banda sonora escolhida para a cena. No centro da sala, uma luz incandescente caia sobre um homem cabisbaixo, sentado numa cadeira. Parecia estar a dormir. Por azar, tinha exactamente por cima da cabeça uma infiltração que estava a danificar por completo o seu penteado de galã dos anos 50 - o que era anteriormente uma obra de arte, era agora uma pasta asquerosa de laca, musgo e água.

A sorna do hóspede estava para durar, não fosse o som da melodia de fundo, dirigida pela orquestra sinfónica dos Ratatouille do Eliseu, ter aumentado de tom. O homem começava a acordar. Apesar de ainda meio inconsciente, olhou para todos os lados, questionando-se que lugar seria aquele, como tinha ido ali parar e porque raio estaria o Presidente da França sentado sem fazer "ne pa de nada" numa cadeira reles, com tanto trabalho à sua espera na poltrona dourada do seu escritório. Levantou-se. Dirigiu-se à porta de saída. Estava trancada. No entanto, assim que puxou a maçaneta, uma televisão acendeu-se na outra extremidade da sala. "Que estranho. Porque raio está uma televisão nas catacumbas do Eliseu? Ainda por cima sem TV por cabo e com chuviscos." - pensou Sarkozy. Cinco segundos e uma figura bem sua conhecida apareceu no ecrã: o Pinóquio.

"Olá. Isto é um jogo. E só te safas se o jogares." - explicou o boneco. "És um homem casado... não é suposto andares a trabalhar por fora, com um senhora de idade, para ganhares uns trocos - a ultima vez foram 150 mil euros." - advertiu Pinóquio. E continuou. "Não reparaste, mas atrás da cadeira onde estavas sentado existe um mini salão de cabeleireiro. Tens já uma cliente sentada e pronta a ser satisfeita. Só tens de usar os produtos e instrumentos disponíveis em cima da mesa para lhe criares um novo look." - disse. "Tens 5 minutos para executares a tarefa. A cliente terá de dizer "está perfeito", quando terminares, para accionar a fechadura da porta que vos tira daqui. Boa sorte!" - concluiu Pinóquio.

Sarkozy estava aterrorizado. "Era mais fácil sacar dinheiro a uma idosa do que pentear uma senhora com ar de primeira-dama." - pensou ele. Mas pôs mãos à obra. Pegou no secador, no pente e na tesoura e lá foi criando um penteado à maneira à senhora mistério, que tinha uma máscara colocada, tornando-a irreconhecível. Umas tesouradas aqui, umas penteadelas ali e voilá, estava perfeito. Agora o toque final: um pouco da laca que estava em cima da mesa. Dizia L'Oréal na frente da embalagem. "Bem, se é da idosa dos 150 mil euros, então deve ser de qualidade." - pensou "Sarkozas", como era tratado pela sua querida esposa. E sem pensar duas vezes usou o produto na cabeça da senhora. No entanto, depois de o ter feito, reparou num fio de cabelo de cor diferente que saia da cabeça da sua cobaia. Mesmo no meio da nuca da cliente, estava um cabelo branco que, por ser único, ele reconhecia perfeitamente. "Carla?! És tu?" - exclamou Sarkozy. A mulher não respondeu... estava inconsciente. Mas o cabeleireiro da "Mula Ruja" tinha a certeza. Só a primeira-dama tinha aquela "marca".

Sarkozy estava ainda mais aflito. Mas o pior ainda estava para vir: a obra de arte que tinha acabado de fazer estava a desfazer-se à frente dos seus olhos. Os cabelos de Carla Bruni não passavam de uma miragem. Estava carequinha como a cabeça de Henry.

Os 5 minutos estavam mesmo a terminar. A máscara da cara de Carla caiu. A primeira-dama acordou e olhou-se ao espelho. "Sacrebleu!" - exclamou, aterrorizada. O sonho de Sarkozy em sair dali com vida estava desfeito. Carla saiu da cadeira, aparentemente calma, chegou perto do seu marido e... apertou-lhe o cou (o nosso Zé Povinho leria cu).

Era caso para dizer que a L'Óreal tinha acabado de deitar abaixo o Presidente da França!

sábado, 17 de julho de 2010

Saw 6 - Cap. I: O terror de Sócrates


Silêncio...
Até ao momento em que um homem de cabelo grisalho sentado numa poltrona velha e rasgada acorda com um suspiro ofegante e profundo, como que estivesse a acordar de um terrível pesadelo. Estava meio atordoado, a olhar para todos os lados à procura de explicações. Teve uma dor de cabeça repentina.

"Santo Hugo Chávez, onde estou... como vim aqui parar?" - pensou o homem. A dor de cabeça que tivera à momentos fê-lo pensar em muitas explicações para o que lhe estava a suceder: 1. Que tivesse sido da cardoza que apanhou na noite passada. Tinha estado a beber à grande e à portuguesa numa festa privada no Palácio de São Bento, com os seus boys; 2. Um ramo da árvore mais antiga do jardim que lhe caira na cabeça. A meio da festarola foi urinar fora do palácio. Estava tão aflitinho na altura, que nem pensou nas consequências de sair sem seguranças; 3. Os efeitos da broca que estava perto do seu prato e que por influência dos seus "amigos" tinha acabado por fumar. "Sacanas destes gajos de esquerda não me largam." - pensou ele.

Os seus braços e pés estavam atados com cordas... a sua cintura estava presa à poltrona. Não se conseguia mexer. Pediu socorro pelo menos umas três vezes, mas ninguém apareceu. Estava escuro à sua volta, no entanto, sentia uma leve brisa a coçar-lhe o seu grande nariz. De repente, acenderam-se umas luzes e percebeu que estava na rua, numa Avenida da Liberdade vazia, mais concretamente. "Eu, que tanto apregoo a liberdade. Porquê eu, meu Santo Chávez?" - gritou bem alto.

À sua frente tinha um televisor, que se acendeu como que por magia. Mostrava agora um boneco que lhe era bem familiar: o Pinóquio. "Olá. Isto é um jogo. E tu só te safas se o jogares." - explicou o boneco. "És o Primeiro deste país... não te tens saído muito bem. O teu medo são as pessoas, teu o povo. Pois é a elas que vais ter de te dar para te salvares. Daqui a 30 segundos aquilo que tu mais temes vai descer a avenida. Convence a tirarem-te daí. Se não, a corda que te amarra a mão esquerda, de tanto puxa-la, é capaz de te a arrancar. Boa sorte!" - disse Pinóquio.

Sócrates estava em maus lençois. Ao longe, começou a ouvir gritos, vozes que o começavam a deixar nervoso. De repente percebeu: "É uma manifestação da CGTP!!!" E estava sozinho, sem seguranças... o que ia ser dele no meio do povo.

"O POVO, UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO!" - era o slogan mais gritado. De repente, uma avalanche de gente cobriu a Avenida da Liberdade... 100.000 pessoas mais concretamente. Sócrates começou a prometer 150.000 empregos, tirar da pobreza outros milhares de pessoas, fazer crescer a Economia, mas não convenceu ninguém. Parecia que toda a gente estava vacinada contra quem muitos chamavam de "Pinócrates".

E o tempo esgotou-se. Nos ouvidos de Sócrates ecoavam os slogans do povo, as suas aspirações... as suas necessidades. Nunca mais lhe iam sair da cabeça. Estava aos poucos a dar em doido...
Mas para ele, bem pior que isso, foi ter ficado sem a sua mão esquerda, que a corda de tanto esticar lhe levou. Estava esvaído em sangue. Afinal era vermelho, não era nem azul e amarelo, nem laranja, como muitos pensavam. E apesar de estar rodeado de gente, ninguém o auxiliou.

Fechou os olhos. Mas antes, ainda teve tempo de ver à sua frente, a saltitar para o primeiro lugar de um mini-pódio, um coelho. Tinha "Passos" escrito a dourado numa coleira ao pescoço. O homem grizalho, que era Primeiro, não voltou a acordar.
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