sábado, 17 de julho de 2010

Saw 6 - Cap. I: O terror de Sócrates


Silêncio...
Até ao momento em que um homem de cabelo grisalho sentado numa poltrona velha e rasgada acorda com um suspiro ofegante e profundo, como que estivesse a acordar de um terrível pesadelo. Estava meio atordoado, a olhar para todos os lados à procura de explicações. Teve uma dor de cabeça repentina.

"Santo Hugo Chávez, onde estou... como vim aqui parar?" - pensou o homem. A dor de cabeça que tivera à momentos fê-lo pensar em muitas explicações para o que lhe estava a suceder: 1. Que tivesse sido da cardoza que apanhou na noite passada. Tinha estado a beber à grande e à portuguesa numa festa privada no Palácio de São Bento, com os seus boys; 2. Um ramo da árvore mais antiga do jardim que lhe caira na cabeça. A meio da festarola foi urinar fora do palácio. Estava tão aflitinho na altura, que nem pensou nas consequências de sair sem seguranças; 3. Os efeitos da broca que estava perto do seu prato e que por influência dos seus "amigos" tinha acabado por fumar. "Sacanas destes gajos de esquerda não me largam." - pensou ele.

Os seus braços e pés estavam atados com cordas... a sua cintura estava presa à poltrona. Não se conseguia mexer. Pediu socorro pelo menos umas três vezes, mas ninguém apareceu. Estava escuro à sua volta, no entanto, sentia uma leve brisa a coçar-lhe o seu grande nariz. De repente, acenderam-se umas luzes e percebeu que estava na rua, numa Avenida da Liberdade vazia, mais concretamente. "Eu, que tanto apregoo a liberdade. Porquê eu, meu Santo Chávez?" - gritou bem alto.

À sua frente tinha um televisor, que se acendeu como que por magia. Mostrava agora um boneco que lhe era bem familiar: o Pinóquio. "Olá. Isto é um jogo. E tu só te safas se o jogares." - explicou o boneco. "És o Primeiro deste país... não te tens saído muito bem. O teu medo são as pessoas, teu o povo. Pois é a elas que vais ter de te dar para te salvares. Daqui a 30 segundos aquilo que tu mais temes vai descer a avenida. Convence a tirarem-te daí. Se não, a corda que te amarra a mão esquerda, de tanto puxa-la, é capaz de te a arrancar. Boa sorte!" - disse Pinóquio.

Sócrates estava em maus lençois. Ao longe, começou a ouvir gritos, vozes que o começavam a deixar nervoso. De repente percebeu: "É uma manifestação da CGTP!!!" E estava sozinho, sem seguranças... o que ia ser dele no meio do povo.

"O POVO, UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO!" - era o slogan mais gritado. De repente, uma avalanche de gente cobriu a Avenida da Liberdade... 100.000 pessoas mais concretamente. Sócrates começou a prometer 150.000 empregos, tirar da pobreza outros milhares de pessoas, fazer crescer a Economia, mas não convenceu ninguém. Parecia que toda a gente estava vacinada contra quem muitos chamavam de "Pinócrates".

E o tempo esgotou-se. Nos ouvidos de Sócrates ecoavam os slogans do povo, as suas aspirações... as suas necessidades. Nunca mais lhe iam sair da cabeça. Estava aos poucos a dar em doido...
Mas para ele, bem pior que isso, foi ter ficado sem a sua mão esquerda, que a corda de tanto esticar lhe levou. Estava esvaído em sangue. Afinal era vermelho, não era nem azul e amarelo, nem laranja, como muitos pensavam. E apesar de estar rodeado de gente, ninguém o auxiliou.

Fechou os olhos. Mas antes, ainda teve tempo de ver à sua frente, a saltitar para o primeiro lugar de um mini-pódio, um coelho. Tinha "Passos" escrito a dourado numa coleira ao pescoço. O homem grizalho, que era Primeiro, não voltou a acordar.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...