Mostrar mensagens com a etiqueta revolução. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta revolução. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de outubro de 2010

VIVA A REPÚBLICA!!! VIVAM AS BANANAS!!! VIVA A REPÚBLICA DAS BANANAS!!!

No dia em que se comemora os 100 anos da implantação da República em Portugal, os Nabos não podiam deixar passar em claro os gloriosos momentos do nosso regime, que tantas alegrias nos tem dado.

Brindemos aos políticos toureiros, aos preocupados com a reciclagem, aos palhaços, aos matemáticos, aos barraqueiros, aos rosas, aos laranjas, aos das cores do Arco-Íris, aos que querem ditaduras, aos que lhes foge a boca para a verdade, aos "jamais", aos bombistas, aos que se atiram para a piscina, aos cleptomaníacos, aos preocupados com a privacidade, aos "caixas de óculos", enfim...

VIVA A REPÚBLICA!!!
VIVAM AS BANANAS!!!
VIVA A REPÚBLICA DAS BANANAS!!!




REVOLUÇÃO DOS NABOS, JÁ!!!

sábado, 14 de agosto de 2010

Vamos salvar os Carteiros!


Leandro, 24 anos, recém-licenciado em Relações Internacionais... carteiro há 2 meses! Recebe mensalmente o ordenado mínimo e os benditos recibos verdes obrigam-no a viver ainda em casa dos pais.

Estamos no ano de 2025 e apesar de todas as promessas eleitorais, Leandro não é o único licenciado carteiro. Profissão digna, contudo, não aspirante a grandes subídas profissionais. Já poucas cartas há a distribuir, o e-mail foi eleito o meio de comunicação privilegiado e já nem as contas para pagar chegam em forma em papel.

Leandro passa as suas horas de expediente a entregar cartas a um pequeníssimo segmento da população, que ainda não se converteu às novas tecnologias. Mas seguem-se dias e dias sem que o jovem distribua uma única carta. Já nem a publicidade o salva da monotonia. Todos os panfletos, folhetos e afins foram substituídos por painéis interactivos, distribuidos pelo país.

Leandro, como qualquer carteiro, vê a sua profissão ameaçada e teme um futuro díficil. Existem apenas 50 carteiros em todo o território nacional e muitos não aguentam as 8 horas diárias que passam a trabalhar, salivando por um pequeno envelope com destinatário.


Na vivacidade dos seus 24 anos, Leandro decide fazer uma manif pelas ruas do Porto, cidade onde tenta a todo custo distribuir correspondência. Contudo, não estava só. Conscientes dessa manif, estavam do outro lado os "Defensores da Natureza", que acreditavam que o fim das cartas era o mais revolucionário feito desde que tinham, em 2020, parado com produção do mata-moscas de plástico. "Não às Cartas, salvem as Matas!" - gritavam bem alto os ambientalistas.

Esta manifestação sensibilizou os mais vulneráveis, aquele pequeníssimo segmento da população que ainda não se tinha convertido às novas tecnologias e que agora tinha decidira fazê-lo. O resultado: Leandro viu o seu posto de trabalho extinguir-se em menos de uma semana. Nada mais havia a distribuir e o jovem confinava-se agora, como tantos outros carteiros, ao aterro sanitário, onde trabalhava à noite para juntar uns trocos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O melhor emprego do mundo - Cap. II

ATENÇÃO: ESTE ANÚNCIO É REAL.

Ensaiamos abaixo uma resposta modelo, para que saibas como responder aos melhores anúncios de emprego em Portugal.

Descrição
:

Integrado num dos Departamentos de Recrutamento Selecção do Grupo Trabuca Q'nem Cão, será responsável pela triagem de CV’s; Contactos telefónicos para agendamento de entrevistas e provas de grupo; Realização de entrevistas presenciais; Aplicação de testes psicotécnicos; Contactos telefónicos com candidatos para informação de feedback acerca de entrevistas e provas de grupo; Tarefas de BO.



PROCURAMOS

• Disponibilidade para Full-Time das 9h-18h com folgas ao fim-de-semana;
• Recém-licenciado na área das Ciências Sociais (Psicologia das Organizações; Gestão de RH ou Sociologia do Trabalho);
• Factor obrigatório: experiência de Recrutamento Selecção em Trabalho Temporário;
• Capacidade de trabalho em equipa;
• Orientação para objectivos;
• Disponibilidade total para entrada imediata.



OFERECEMOS


•Estágio com a duração de 6 meses;
•Formação inicial e contínua;
•Bolsa de Estágio: 150€/mês (Subsidio de refeição + Transporte).



Local de trabalho: Lisboa 


A resposta do Nabo:

Exmos Senhores,

Venho por este meio apresentar-me à vossa disposição para ingressar o Estágio que propõem.

Tenho todas as qualidades que necessitam: sou recém-licenciado em Gestão de Recursos Humanos, mas como o Sócrates promete, promete, mas não me dá emprego... aqui estou eu.

Tenho bastante experiência na área de Recrutamento Selecção em Trabalho Temporário, pois há cerca de 6 meses trabalhei numa empresa vossa semelhante, em regime de Estágio. Ainda assim, quero muito trabalhar convosco, pelo que vos imploro que me reconheçam valor.

Adoro trabalhar em equipa... lá em casa, enquanto mudo a lâmpada, a Maria gira-me o banco para que a dita fique bem enroscada.

Sou completamente orientado para objectivos. Neste momento, o maior deles todos é ter um Estágio e sair pouco tempo depois, procurando outro. Assim ganharei, com certeza, muita experiência, apesar das miudezas monetárias.

A minha disponibilidade é total para entrada imediata. Se quiserem, entro amanhã ao serviço às 9 da matina, desejoso de começar a entrevistar pessoas que vão realmente trabalhar. Ficarei extremamente feliz por poder anunciar aos recrutados o seu ordenado, que permitirá aos mesmos o pagamento da prestação da casa, carro e ainda a mensalidade do ginásio, enquanto eu apenas me deleito com alimentação e transporte.

Ao vosso dispor,

Alberto Uma-Pedra, o Nabo

domingo, 8 de agosto de 2010

Como ser um Nabo - Cap. IV: Assado, frito ou cozido?


Mais um dia de trabalho que parecia chegar ao fim. Carlos entrou às 9h00, como habitualmente, e às 17h55 tinha dado por concluídas, de forma eficiente, todas as tarefas que lhe tinham sido atribuídas. Habitualmente, o Nabo fazia largos serões na 1+1=3, pagos pela patroa com um prémio a que o nariz e as mãos de Carlos não ficavam indiferentes. - "Não se esqueça de limpar a casa de banho antes de sair?" - ordenava Angela Anunciação, com um sorriso maléfico nos lábios. Mas na cabeça do Nabo, esta quarta-feira ia ser diferente: Carlos tinha o 50º aniversário do pai, um acontecimento único, a que o jovem não podia faltar. No dia anterior tinha inclusive avisado a big boss das suas intenções de sair, excepcionalmente, a horas. Sim, porque o seu horário de trabalho variava consoante o humor da patroa.

Eram 18h00 em ponto quando o Nabo começou a arrumar a secretária. É que um Tapa-buracos, nobre categoria profissional estipulada em contracto, com tanta coisa para fazer ao longo do dia, era natural que a sua mesa mais parecesse um campo de batalha.

Carlos preparava-se para desligar o monitor do computador, quando um beep saiu pelas colunas de som do "bicho". O Nabo abriu a pequena janela que saltitou do canto inferior direito do ecrã e leu: "Nova mensagem. Carlos, preciso que idealize, ainda hoje, um banquete para a festa de 25 anos de casada da minha tia Serafina. Ass: Angela Anunciação.". Carlos não queria acreditar. Parece que Angela tinha feito ouvidos mocos dos planos do Nabo para aquele dia. Mas o jovem estava há pouco tempo na empresa e o fantasma do desemprego ainda pairava sobre a cabeça do mais bem pago da 1+1=3. Por isso, colocou mãos à obra:

Pensou num banquete Assado: "E se o pernil ficar seco, põe o quê... Halibut?!" - questionou Angela.
E continuou...
(...) Cozido: "Comida de doentes?! Nem pense!!!"
(...) Frito: "Para isso bebemos garrafas de óleo Fula de penalty. Tem o mesmo efeito!"
(...) Guisado: "Faz-me lembrar o banquete de inauguração da Ponte Vasco da Gama. Odeio gente pobre!!!"
(...) Grelhado: "Olha que um churrasco na piscina não era mau pensado. Mas dão chuva nos próximos dias." - disse Angela. "Que bela desculpa..." - pensou Carlos, já que estavam em pleno mês de Agosto.
(...) Doce: "Não, que a minha tia tem diabetes."
(...) Salgado: "Não, que minha tia sofre de colesterol alto."
(...) Saudável: "Tenho ar de vaca, por acaso?" - gritou Angela. Carlos esteve prestes a dizer que sim...
(...) Abafado: "Que quer dizer com isso exactamente? Uma maçã à frente e um limão atrás? A minha tia é Católica, não vai nessas modernices.
(...) Estorricado: "Só pode estar a gozar!" - exclamou Angela, insatisfeita.

Carlos já não sabia mais por onde pegar. Angela tinha rejeitado todas as suas ideias. E com isso, já lá iam mais umas horas de expediente. O Nabo já não ia assistir, com toda a certeza, ao início do aniversário do pai. No entanto, voltou-se a ouvir um beep do computador de Carlos. Tinha chegado um novo email. Dizia: "Nova mensagem. Carlos, já não preciso de si. Idealizei eu própria um banquete para a minha tia Serafina. Será Grelhado!!! Não sei como não teve esta brilhante ideia antes. Ah... e não se esqueça de limpar a casa de banho antes de sair. Ass. Angela Anunciação.". Boquiaberto, Carlos estava ainda mais parvo do que quando a big boss despediu Ana. A ideia tinha sido sua... só podia estar a gozar com a sua cara.

Carlos chegou 2 horas atrasado ao aniversário do pai. Já nem tivera tempo de ir a casa. E para além de furioso, o Nabo tinha, digamos que... um odor estranho. "É o cheiro do trabalho!" - disse-lhe simpaticamente o pai.

domingo, 25 de julho de 2010

Como ser um Nabo - Cap. III: A nova estampa de Ana


Carlos Macho, o Nabo, apresentou-se no seu primeiro dia de trabalho exactamente às 9h00 em ponto. À sua espera estavam as pessoas que ele pensava serem os seus futuros colegas. No dia da sua entrevista tinha dado uma olhadela nas fotografias da parede esquerda do corredor que ligava a recepção e o gabinete da big boss... e lá estavam elas. No entanto, toda a gente o recebeu não com um sorriso, como seria de esperar, mas com um ar de "onde te viste meter, rapaz...".


O Nabo tentou abstrair-se. Sentou-se no local que os colegas lhe indicaram ser o seu e foi tentando inteirar-se das suas funções. Mas para um Tapa-buracos era difícil. Havia, pelos vistos, milhões de coisas para fazer.

Eram agora 11h00 da manhã e Carlos estava concentrado no seu primeiro trabalho: organizar um cocktail para a tasca da Dona Joana, em Alfama. De repente, por entre o silêncio da concentração, ouviram-se passos finos e curtos, como se de uma pessoa em saltos altos se tratasse. Uma silhueta entrou no gabinete da big boss sem dar sinais de vida aos presentes. Minutos depois ouviu-se um grito. As previsões confirmavam-se. Era Angela Anunciação. Tinha acabado de se sentar na sua poltrona e a primeira coisa que fez foi chamar Ana Banana, a colega que se sentava na secretária em frente ao Nabo. Ana levantou-se com um ar sofrido e entrou no gabinete de Angela. A porta fechou-se.

Dentro do sala, Angela pediu satisfações a Ana.
- "Porque raio este trabalho está pendente?" - perguntou Angela, irritada.
- "Falta a sua assinatura no contrato, Angela, já lhe disse por diversas vezes, inclusivé mandei-lhe um email." - respondeu Ana.
Mas Angela não quis ouvir mais. "Estás fora da equipa." - disse, num tom ríspido.
- "Mas Angela, todo o trabalho estava do seu lado, como podia ter resolvido?" - questionou Ana.
- "Não sei, desenrascasse-se! É para isso que lhe pago." - afirmou Angela. E continuou. "E como o ser humano não é imprescindível, está fora da equipa. Haverá com certeza outra pessoa capaz de fazer aquilo que a Ana faz." - exclamou.
- "Bem, pelos vistos conseguiram substituir Beethoven, no mundo da Música, ou Gandhi no da Política. Creio até que conseguiram substituir Picasso, Leonardo Da Vinci, entre outros." - respondeu Ana.
Angela engoliu em seco. Mas tinha agora na cara um sorriso sarcástico. A conversa continuou. "Bem Ana, como eu não despeço ninguém, faça o que quiser, mas está fora da equipa. Pode sair. Ah e antes que me esqueça... tem aqui esta nova estampa que pode colocar onde quiser" - disse Angela, com o seu ar superior.

Ana não tinha percebido muito bem o que a big boss tinha acabado de sugerir. E quanto à estampa, muito menos, tinha um autocolante em forma de pegada para colar num sitio qualquer. Como não sabia onde, sentou-se na secretária e continuou o seu trabalho.


Minutos depois, Angela saiu do seu gabinete e mostrou a Ana um documento. Dizia "Convite a sair por motivo atendível". Ana estava estupefacta...
No papel que Angela mostrou, dizia que Ana foi "docemente convidada a sair da empresa", como se de uma festa de aniversário se tratasse, e que respondeu com gracejo ao simpático convite, daí o "motivo atendível".
Ana ainda barafustou, mas não havia nada a fazer. Esta nova alínea na lei, soft, como muitos lhe chamavam, tinha sido aprovada há pouco tempo. E lei é lei!


Há 5 anos que Ana estava na 1+1=3. Tinha dado muito de si à empresa: passou noites sem dormir; momentos em que prescindiu de estar com o marido e os miúdos pequenos para ficar ali sentada no cubículo a que chamava de secretária. De acordo com Angela, todo aquele sacrifício era necessário, até porque lhe pagava bem - 600 euros em meses de muita chuva, 700 em meses de mais sol.

Carlos estava incrédulo com toda a situação. "Será que é sempre assim?" - interrogou-se. Mas não voltou a questionar o seu Eu. Havia muito trabalho a fazer. Só teve tempo de ver Ana sair, cheia de caixas, qual burra de carga a sair do escritório da 1+1=3.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O melhor emprego do mundo - Cap. I

ATENÇÃO: ESTE ANÚNCIO É REAL.

Estágio Programa Televisivo e Eventos - Entrada imediata em full-time

CONDIÇÕES ESSENCIAIS:

• Estágio, entre 6 a 8 meses, com ajudas de custos de cerca de 200 € – alimentação e transportes, com possibilidade de continuar na empresa;
O Nabo: Atenção... é cerca de... não é exacto. Em Fevereiro recebes menos, que trabalhas menos dias de certeza. É que 200€ é uma pipa de massa!

• Entrada imediata;
• Licenciatura;
Full-time – não sendo compatível com aulas ou outros trabalhos;
O Nabo: Ok, trabalhamos um full-time, ilimitado... mesmo que queiras tirar um curso pós-laboral não podes. Dedica-te ao trabalho pah!
E ganhar uns trocos a part-time noutro sítio, nem penses... é que, com jeitinho, 200€ dá para pagar renda, água e luz. Se queres comer, imagina raspas, bordas de alguidar, coisas assim... apetitosas!

• Carro próprio e carta de condução;
O Nabo: Ai ai, não tens carro? Nem carta? E ainda queres usufruir de 200€ mensais? Tás mas é maluco... Pensas que isto é a Santa Casa da Misericórdia ou quê?

• Disponibilidade para trabalhar aos fins-de-semana;
O Nabo: Dedicação ao trabalho acima de tudo! E pensas que trabalhar ao fim-de-semana é mau? Então e a empresa? Sem ti não avança...

• Curriculum com fotografia
O Nabo: Sim!!! Não queremos teenagers com borbulhas ou punks com cristas azuis na cabeça! Esperamos que saibas usar a tua própria maquilhagem e que frequentes regularmente o salão cabeleireiro local.

Enviar os currículos com fotografia ao cuidado de Maria Trabuca (nome fictício) para o endereço de e-mail bulequenemumcao@yahoo.com e respondam as seguintes questões:

1. Qual a sua licenciatura e em que faculdade?
O Nabo: Eles perguntam cada coisa... em princípio excluem todos os que se formam em Universidades duvidosas, vulgo, Moderna.

2. Se é residente ou se tem casa em Lisboa?
O Nabo: Residir em Lisboa significa ter posses para tal, ou claro, pais ricos. Convém frisar que trabalhar nesta empresa é como trabalhar no INEM, a qualquer hora da noite ou do dia podes ser chamado para cumprir o teu dever e pumbas... corres para o emprego!

3. Carro próprio e carta de condução?
O Nabo: É porque é mesmo importante este tópico. Repetem 2ª vez para termos a certeza que o nosso carro e carta serão vitais na nossa selecção.

4. Se tem total disponibilidade, não sendo fácil acumular outras funções, e possibilidade de entrada no dia da entrevista?
O Nabo: Não podes acumular funções! Esquece lá a roupa que deixaste no estendal ou o puto que tá com febre... nã nã nã! A EMPRESA É A TUA VIDA!!! E claro, se o entrevistador gostar de ti, ficas logo lá. De facto faz todo o sentido. Para quê perder tempo em transportes para 1 hora de entrevista? Perdão, para quê perder tempo a conduzir o teu carro e gastar da tua gasolina para 1 hora de entrevista?

5. Qual a sua idade?
O Nabo: Apesar de não querermos teenagers também somos contra os quarentões e alguns trintões que se apresentem. Querem pessoas novas, frescas!

6. Disponibilidade para trabalhar aos fins-de-semana?
O Nabo: Outro ponto importante que se repete para que não nos esqueçamos! Nada de ir passar um fim-de-semana ao Gerês com a tua cara metade. Todos sabemos que os fins-de-semana são feitos para o trabalho e dedicação à empresa, que com toda a boa vontade nos oferece em troca 200€ por mês.

7. Considera ter ritmo, rapidez e facilidade na execução das tarefas?
O Nabo: Não queremos processos de aprendizagem lentos, nem grande rigor nas tarefas realizadas. O trabalho tem de ser feito e o tempo urge!

8. Boa capacidade de organização?
9. Facilidade de expressão e comunicação, sobretudo escrita?

10. Solteira e se tem filhos?
O Nabo: Engravidaste aos 15 de quadrupolos? (...) Talvez este anúncio não seja para ti. Mesmo assim até tens uma licenciatura e os putos estão com o pai? (...) Eh pah.. pensa bem, 200€ fazem muita falta!

11. Conhecimentos de Golfe e experiência nas diferentes áreas da empresa? Apesar de não serem requisitos essenciais.
O Nabo: Oh Tiger Woods, não estás interessado? Seu grande maluco... Ganhas tu milhões com os teus sólidos conhecimentos em Golfe, bem podias dar uma mãozinha aqui na empresa! Ah pois, não resides em Lisboa. Então esquece lá isso... este bombom não é para todos!

Aguardamos com expectativa as vossas respostas.
O Nabo: A expectativa é mútua.

Com os melhores cumprimentos,
O Nabo: Beijinhos. És uma querida! Vai pela sombra...

Maria Trabuca
O Nabo: REVOLUÇÃO!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Como ser um Nabo - Cap. II: Emprego para Tapa-buracos

O estreito corredor que dava acesso ao gabinete da directora-geral da 1+1=3 estava decorado, do lado direito da parede, com cartazes impressos dos mais importantes trabalhos realizados pela empresa e, do lado esquerdo, com fotografias informais da actual equipa de colaboradores. O prestígio da empresa e a união entre colegas agradaram a Carlos, que, à medida que ia andando, se tentava abstrair do momento do primeiro encontro com Angélica Anunciação.

Eram 8h37 e ainda não estava ninguém no seu posto de trabalho, para além da "chefona" e da secretária, é claro. Os passos de Angélica e Carlos ecoavam no silêncio do corredor de acesso ao gabinete da chefe. Com os estores ainda fechados e apenas uma das luzes do tecto acesas, o cenário simulava, sem sombra de dúvidas, o corredor de uma casa assombrada. Se Angélica, que seguia à frente, de repente se virasse para trás, Carlos apanharia, com certeza, um dos maiores cagaços da sua vida.

Chegaram...
A entrada do gabinete de Angélica mais parecia uma homenagem à porta do castelo do Conde Drácula. Velha e meio maltrada, parecia não querer abrir, tais eram os empurrões sucessivos que a directora-geral da 1+1=3 dava na madeira escura e forte. No entanto, como que por magia, abriu-se no preciso momento em que Angélica tinha parado de empurrar. Mistério ou não, deixou Carlos a pensar: "Será que a gaja é bruxa, ou quê?!".

Angélica deu licença a Carlos para entrar no seu gabinete primeiro que ela própria. Uma cortesia que fazia sempre questão de ter com os seu convidados.
Fechou a porta. O rangido foi tal que fez Carlos olhar para a sua barriga. Não queria acreditar que pudessem ser gases… tinha tomado Activia, o milagre da medicina iogurteira. E se até com Fátima Lopes resultava, tinha de resultar com ele num momento crucial daqueles.
- Foi só a porta. - exclamou Angélica, reparando no ar de aflição de Carlos, que corou da cabeça aos pés.

Estavam agora os dois sentados frente-a-frente, olhos nos olhos - azul cien com "vermelho conjuntivite".
Angélica fez as honras e começou por apresentar aquela que poderia vir a ser a 2ª casa de Carlos:
- Tal como lhe disse por telefone, a 1+1=3 é uma empresa que "vai a todas". Decidimos não nos especializar, porque gostamos de fazer tudo. O nosso objectivo é deixar os nossos clientes totalmente satisfeitos, independentemente daquilo que nos peçam ser uma limpeza a retretes ou construção um site; organização de eventos ou servir canapés na inauguração de uma nova tasca. Não somos esquisitos! - explicou Angélica.

Carlos estava incrédulo, boquiaberto... não queria acreditar no que acabara de ouvir! "O que é que era aquilo?" - pensou ele. No entanto, como não estava em época de recusar o que quer que fosse, sorriu de forma irónica.
De seguida, Angélica fez-lhe as perguntas da praxe: "Descreva-me o seu percurso académico e a sua experiência profissional". Carlos não tinha muito para dizer... tinha-se formado há pouco tempo e a sua inexperiência estava bem patente na única página de currículo.

No entanto, apenas 1 minuto de conversa serviu para Angélica exclamar: "está contratado!".
- Deve saber lavar casas de banho nas horas vagas e isso chega-me. - disse a directora-geral da 1+1=3, abrindo ainda mais os seus olhos "vermelhos conjuntivite".

Carlos não queria acreditar. Ao fim de 6 meses tinha um emprego. Não era bem o que estava à espera, mas era melhor que nada. E como o dinheiro lhe fazia falta, era impossível dizer que não. O "Nabo" apenas perguntou a Angélica quais as condições contratuais.
- Ora bem, penso que o melhor para si serão os nossos Recibos Pretos, permitindo a ambas as partes uma maior flexibilidade. Quanto a remuneração e dado que faz tudo, penso que o ordenado mínimo é justo. E conforme o seu desempenho no próximo ano, quem sabe não o aumento para os 500 euros. - disse Angélica.

Carlos não tivera reacção, pois ainda era cedo para assimilar tudo.
- Sortudo, hein! - exclamou Angélica. Sou uma pessoa muito humana e justa. Vai gostar de trabalhar comigo e com o resto da equipa.
- De certeza que sim! - disse Carlos, com cara de parvo, apertando firmemente a mão da directora-geral da 1+1=3, como que a selar o acordo.
- Então apresente-se amanhã, às 9h00 em ponto, para começar a trabalhar. - ordenou Angélica, com um sorriso nos lábios, como que a mandar uma piadola.

Mas para o "Nabo", era tudo menos uma piada. A partir de agora a sua vida ia mesmo mudar. Despediu-se da sua nova chefe e saiu com o "rabinho entre as pernas" pelo corredor fantasma em direcção à loura boazonha.
- Então amanhã cá nos vemos, cara colega - disse Carlos, piscando-lhe o olho.

domingo, 4 de julho de 2010

Como ser um Nabo - Cap. I: O diabo veste Caca

Abril tinha chegado ao fim. Duas semanas de chuvadas intermináveis supostamente dariam lugar a um dia solarengo. De acordo com Violeta dos Campos, do Instituto de Meteorologia, era esperado céu limpo, vento moderado de nordeste e 25º de temperatura máxima. No entanto, a manhã tinha acordado com nevoeiro denso, que não fazia vislumbrar "alminha" na Praceta General Nabais Sem Medo.

Era segunda-feira e, para um dia de trabalho, mais parecia feriado nacional. Todos os estores da praceta estavam fechados, excepto os do 1º esquerdo, do lote 25. A janela estava escancaradamente aberta e o frio da neblina matinal inundava o quarto do inquilino do T1 mais pequeno do prédio.

Seria uma manhã como tantas outras para Carlos Macho, o "Nabo", como era carinhosamente chamado pelos amigos mais próximos, não fosse o despertador tocar às 8h00. Para este licenciado, desempregado, de 25 anos, esta era uma data especial.
No dia anterior tinha recebido um telefonema que parecia vindo do céu. Pela primeira vez em 6 meses, Carlos tinha sido chamado para uma entrevista de emprego. Do outro lado do seu semi-partido Nokia 1610, uma voz feminina tinha marcado um "encontro" para as 8h30, nas instalações de uma empresa, que, com o entusiasmo, não percebera o nome. Tinha apenas rabiscado num post-it: "Cruzamento da Avenida da Liberdade com a Soares dos Reis".
- Lá estarei! - disse Carlos, com firmeza, à voz fininha que tinha interrompido "As Tardes da Júlia".

Eram 8h01 e o "Nabo" tinha acabado de carregar no botão para calar o barulho ensurdecedor do despertador que ficava mesmo ao lado do seu ouvido direito. Ainda meio ensonado olhou para o relógio e reparou que faltavam precisamente 29 minutos para o tão esperado momento. Carlos vivia a 30 quilómetros do local marcado pela "voz do além" e, para além de atordoado, estava visivelmente atrasado.

Muito à pressa e atrapalhado, levantou-se, tomou duche, fez a barba, pôs after shave e desodorizante, lavou os dentes, vestiu o seu melhor fato, calçou os seus melhor sapatos e colocou o seu melhor perfume - "Pátcholi", by Doce Cabana. Eram 8h14 e o "Nabo" estava aparentemente impecável para sair de casa.

A correr pelas escadas abaixo, levava na mão direita a chave do seu Fiat Panda roxo, que, com uma carrada de anos, comprou ao seu bisavô por 50 euros, assim que tirou a carta de condução. Na outra, levava um Activia liquido - sofria de barriga inchada e gases, pelo que não podia correr o risco de se descuidar e causar má impressão num momento tão raro como o que se aproximava.

A manhã nublada dava lugar aos primeiros raios de sol, abrindo caminho a um final feliz para a entrevista do "Nabo". O caminho era longo, mas mesmo assim meteu firmemente as mãos ao volante e fez do seu velhinho Fiat Panda um potente Porshe Carrera - ia claramente acima do legalmente permitido pelo Código da Estrada, mas estava-se a borrifar. Tinha de chegar a todo o custo, sem atrasos, ao cruzamento da Avenida da Liberdade com a Soares dos Reis.

Carlos fez da sua viagem pela Via do Elefante um tormento para os outros utentes. Preferiam dar-lhe passagem a ter de suportar mais um minuto do barulho ensurdecedor do seu escape, que mais fazia lembrar o roncar de um Panda. Era, definitivamente, uma situação peculiar: Carlos imaginava possuir o cajado de Moisés nas mãos, já que abria um mar de carros vermelhos à sua frente.

Eram 8h31 quando Carlos estacionou o seu "bólide", ano de "troca-o-passo", em frente à porta do edifício espelhado do cruzamento da Avenida da Liberdade com a Soares dos Reis. Ficou maravilhado a contemplar aquele mamarracho que se destacava das restantes casas da zona.
- É surpreendentemente... como dizer, grande! - exclamou ele, embasbacado.
Parecia que tinha chegado finalmente ao céu e não via hora de falar com a "voz do além" que o tinha chamado ali.

Subiu até ao 5º andar e à sua frente tinha uma rapariga loura, que, com um ar de prostituta do "Elefante Azul", lhe perguntou: "Bem-vindo à 1+1=3, em que lhe posso ser útil?".
Carlos pensou em responder-lhe à letra: "Eras bastante útil logo à noite no meu quarto", mas tentou abstrair-se das qualidades da moça, imaginando como seria fisicamente a sua futura musa, a "voz do além" por detrás do seu semi-partido Nokia 1610.
- Olá! Chamo-me Carlos Macho e venho para uma entrevista. - exclamou.
- Vou agora mesmo chamar a doutora. Ela está à sua espera. - disse a louraça, que ao sair do seu lugar, deixou vislumbrar a sua bruta mini-saia. Voltou passado 5 minutos e com ela vinha uma senhora que mais parecia uma visão do inferno. Carlos olhou várias vezes antes de estender a mão e cumprimentar quem imaginava ser a salvadora dos últimos meses de tédio em casa à procura de emprego.

Era uma mulher que aparentava uns 64 anos, mais coisa menos coisa. O seu cabelo mais parecia uma capacete azul da ONU. Ostentava carradas e carradas de laca, cujo cheiro, muito perto, se tornava insuportável. Vestia um deselegante saco de batatas castanho, tele-transportado directamente dos Loucos Anos 20. Os sapatos, de acabamento em bico, marca Caca, estavam medonhamente a condizer com a toillete. Na cabeça, Carlos reparou que tinha um gancho com o desenho de um boneco que só lhe fazia lembrar uma poia de um cão no meio da rua. A cara ostentava idade: muitas rugas por entre um nariz de bruxa de Oz e uns olhos, que para além de parecerem saltar-lhe da cara, estavam vermelhos de uma conjuntivite que tinha em cada olho. Para finalizar, a cereja no topo do bolo... no peito trazia um broche encarnado com um tridente, que dizia em letras brancas, "God wouldn't recognize me".

Carlos estava meio aparvalhado e estupefacto a olhar para aquela personagem que surgiu à sua frente. Nunca pensou que a "voz fininha do além", por detrás do seu semi-partido Nokia 1610, pudesse ser assim. No entanto, o "Nabo" acreditava que não era o aspecto das pessoas que interessava. O interior da mulher que estava parada à sua frente deveria ser muito mais apetecível do que aquilo que os seus olhos vislumbravam naquele momento.

- Olá! O meu nome é Angélica Anunciação. Sou a directora-geral da 1+1=3. Venha comigo, vamos para o meu gabinete. - disse simpaticamente, na sua voz fininha, depois de apertar firmemente a mão do "Nabo", que continuava em choque.
No entanto, Carlos seguiu-a. Pensou que pior do que a situação de desemprego em que estava, não passaria de certeza e que aquela oportunidade poderia dar lugar a uma mudança na sua vida sem precedentes.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...