
Há muito que o Paracetamol, representado pela grande "Puff!", era conhecido em toda a comunidade fármica como Benurdo.
A farmacêutica era detentora de tantos outros medicamentos, com nomes e embalagens atractivos, mas o Benurdo era sem dúvida um dos mais procurados, por ser inofensivo.
Reza a lenda que até as mulheres grávidas o podiam tomar. Foi o que fez a dona Henriqueta, aos 7 meses de gestação, quando sentiu uma leve enxaqueca - recorreu a 1 grama de Benurdo para a aliviar a maleita.
Muitas décadas passaram e a chegada dos medicamentos genéricos, sem farmacêutica associada, tornam-se o principal rival da "Puff!".
Eram conhecidos os confrontos entre gangs: de um lado a "Puff!", a "Avantes", a "Rocha", a "Jafa" e tantas outras farmacêuticas, formadas ao longo de várias décadas.
Do outro, um grupo apenas, "Genésis", que tinha em seu poder o Paracetamol, numa caixa simples, sem cor nem vivacidade, e tantos outros compostos químicos, vendidos ao desbarato.
Às 2 da manhã, na Rua Doutor Egas Moniz, a grande batalha aconteceu: eram seringas, agulhas e máscaras cirurgicas a tentar travar o confronto.
Foi mesmo aplicado clorofórmio, um anestésico eficiente em forma de gás, para tentar travar a chacina.
Mas de nada adiantava... xaropes, comprimidos e supositórios, contra pomadas, gotas, injecções e eferfescentes. Vitaminas esmurravam anti-histamínicos, os suplementos pontapeavam os substitutos hormonais...
Naquela fatídica madrugada, o mundo dos medicamentos parecia ter perdido o controlo!
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