Em pleno ano de 2010, uma trágica mudança atingiu os órgãos de comunicação social. O fecho do 24 Horas ditou o possível final da imprensa cor-de-rosa, associada à imprensa tradicional. O jornal, de formato tablóide, com notícias super úteis, variadas e com muita informação para dar, era um ser simples, sem grandes aspirações de maior dimensão.
Conceicinha Jardim e Lili dos Caneços eram suas leitoras habituais e, mais do que isso, fornecedoras diárias de muitos segredos e fofocas. Com elas, o jornal nunca deixava de estar actualizado e cheio de notícias vitais para a sociedade portuguesa.
Naquela manhã de Verão, o 24 Horas fez a sua viagem habitual da tipografia à banca. Já todos sabiam que seria a última... já poucos populares o escolhiam como leitura do dia. Era facilmente trocado pelo Correio da Matina, o Jornal Noticioso ou um outro qualquer desportivo.
O 24 Horas andava triste, cabisbaixo, com poucos motivos para sorrir. Conceicinha Jardim e Lili dos Caneços já não olhavam para o seu fiel "diário" com brilho: um jornal que não era o mais visto e que foi facilmente trocado por outros não lhes dava pica. Sim, porque senhoras como elas tinham de pertencer à elite em todos os ramos da sociedade. "Nós queremos é ser vistas, lidas, de tão interessantes que são as nossas vidas... úteis para o bem-estar comum. Umas verdadeiras opinion leaders." - diziam elas.
Com a nata dos VIP a "fecharem as portas" e os paparazzi a deixarem de fotografar, a morte do tablóide que outrora fizera a delícia dos portugueses estava anunciada. No entanto, o 24 Horas não derramava lágrimas em público... porque um jornal nunca perde a dignidade! Apenas o fazia quando estava sozinho, em dias de chuva, onde as pequenas lágrimas eram facilmente confundidas com gotículas de chuva (poético, hein!).
Jazem agora, poeirentos, centenas de jornais 24 Horas em caves escuras e perdidas neste pequeno Portugal. Alguns com as palavras cruzadas completas, símbolo de inteligência dos seus proprietários, que durante anos cumpriram tal tradição. Outros menos dignificados, apresentavam mulheres nuas com bigodes desenhados e pequenos apêndices em osso na testa de algumas figuras, que facilmente se transpunham ao universo dos ruminantes.
O que será agora feito, por exemplo, das expressões "bronca", "andar ao soco" ou "encavar"?
Irremediavelmente ficarão moribundas na caixinha dos perdidos e achados à espera que outro lhes pegue...
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