
E ali estava Bella, no meio da Mata de Garfos, com o rapaz que há horas atrás esteve prestes a despejar-lhe em cima o tão famoso "Vomito", uma mistela natural, sem corantes nem conservantes, que muitos diziam revitalizar corpo e mente. Contudo, para a jovem, o mais importante era sentir-se acompanhada num local cujo chão nunca tinha pisado e que, pela fisionomia, impunha um certo respeito. A neblina e o silêncio ensurdecedor conferiam-lhe um carácter misterioso arrepiante, que gerava em Bella um misto de sentimentos: por um lado, alivio, por outro, medo. No entanto, ao mesmo tempo, a jovem não conseguia deixar de sentir uma forte atracção pelo incrível contraste de cores do cenário que a rodeava: o cinzento das nuvens de humidade penetrava por entre o verde do musgo nas rochas; o vermelho das bagas de azevinho salpicavam o castanho dos arbustos mais secos; e o branco do vestido de Bella contrastava com o preto das vestes do misterioso rapaz, que em frente a si, imóvel, penetrava os olhos da jovem com um olhar fixante.
Era uma situação muito desconfortável, que Bella não aguentava mais. Estava tudo demasiado calmo para o seu gosto. Por isso, deu o primeiro passo e dirigiu-se ao rapaz, com intuito de estabelecer contacto:
- "Por favor não me vomites em cima. Por favor não me vomites em cima." - repetia a jovem, para si mesma, enquanto caminhava. E ali estava ela, em frente a uma estátua em forma de gente... um rapaz que nunca tinha visto mais gordo, mas cujo olhar, há horas atrás, tinha ficado com a percepção de que era negro como a noite e reparara agora que era claro como o dia.
- "Estranho!" - pensou Bella. No que diz respeito a rapazes, era raro enganar-se. Por isso, para ela, ali havia gato... a bota não batia com a perdigota. Daí a sua primeira reacção ter sido questionar o rapaz do porquê das diferenças no olhar:
- "Os teus olhos, estão diferentes..." - disse Bella, com ar de enjoada. O jovem não respondeu.
- "Reparei no parque de estacionamento da universidade que os teus olhos eram pretos. Agora estão claros. Estarei a ver mal?" - voltou a insistir Bella. O rapaz fechou os olhos e desviou a cara no sentido do ombro direito.
Era uma situação muito desconfortável, que Bella não aguentava mais. Estava tudo demasiado calmo para o seu gosto. Por isso, deu o primeiro passo e dirigiu-se ao rapaz, com intuito de estabelecer contacto:
- "Por favor não me vomites em cima. Por favor não me vomites em cima." - repetia a jovem, para si mesma, enquanto caminhava. E ali estava ela, em frente a uma estátua em forma de gente... um rapaz que nunca tinha visto mais gordo, mas cujo olhar, há horas atrás, tinha ficado com a percepção de que era negro como a noite e reparara agora que era claro como o dia.
- "Estranho!" - pensou Bella. No que diz respeito a rapazes, era raro enganar-se. Por isso, para ela, ali havia gato... a bota não batia com a perdigota. Daí a sua primeira reacção ter sido questionar o rapaz do porquê das diferenças no olhar:
- "Os teus olhos, estão diferentes..." - disse Bella, com ar de enjoada. O jovem não respondeu.
- "Reparei no parque de estacionamento da universidade que os teus olhos eram pretos. Agora estão claros. Estarei a ver mal?" - voltou a insistir Bella. O rapaz fechou os olhos e desviou a cara no sentido do ombro direito.
- "Hey, estás surdo, mudo ou és apenas mal educado?" - questionou a jovem. Foi o suficiente para que, num gesto rápido como um flash, o rapaz agarrasse o pescoço de Bella e lhe respondesse ao ouvido: - "Sou mal educado, feio, porco e mau. Devias ter mais cuidado quando te diriges a mim. Sabes o que eu sou?" - disse-lhe o rapaz misterioso.
Bella já mal conseguia respirar quando o rapaz a soltou. Ela gostava de homens violentos, mas assim tanto também não. O ex-namorado tinha sido o capitão de equipa de Futebol Americano do Colégio Internacional da Quinta do Lago, o que revelava bem o requintado gosto da nova coqueluche de Garfos. De mãos no pescoço, a jovem só conseguia pensar na pergunta que o rapaz lhe tinha acabado de fazer. O que seria ele afinal? Vampiro?! Não de certeza! A cruz preta que trazia ao pescoço e que saia da camisa aberta até ao terceiro botão fê-la excluir imediatamente essa hipótese. Lobisomem?! Não! Era demasiado magro. Para além disso, se o fosse, andava com certeza de calções rasgados e de peito ao léu nas mais bizarras situações. Então seria o quê? Bella estava intrigada. É que não fazia a mínima ideia de que criatura seria aquele "naco de carne", aparentemente tão bem parecido e lavadinho.
O rapaz aproximou-se de Bella, agarrando-lhe nas mãos. Foi quando a jovem reparou nas várias pulseiras e anéis de ouro que o rapaz usava. Mas o que realmente interessava é que Bella parecia ter mel. O rapaz não conseguia estar menos de 30 segundos sem se dirigir à jovem:
- "Sou perigoso. A minha vontade é de..." - disse o rapaz.
- "Sim..." - esperou Bella, ansiosa.
- "(...) De te limpar todinha!" - completou o rapaz.
Bella já mal conseguia respirar quando o rapaz a soltou. Ela gostava de homens violentos, mas assim tanto também não. O ex-namorado tinha sido o capitão de equipa de Futebol Americano do Colégio Internacional da Quinta do Lago, o que revelava bem o requintado gosto da nova coqueluche de Garfos. De mãos no pescoço, a jovem só conseguia pensar na pergunta que o rapaz lhe tinha acabado de fazer. O que seria ele afinal? Vampiro?! Não de certeza! A cruz preta que trazia ao pescoço e que saia da camisa aberta até ao terceiro botão fê-la excluir imediatamente essa hipótese. Lobisomem?! Não! Era demasiado magro. Para além disso, se o fosse, andava com certeza de calções rasgados e de peito ao léu nas mais bizarras situações. Então seria o quê? Bella estava intrigada. É que não fazia a mínima ideia de que criatura seria aquele "naco de carne", aparentemente tão bem parecido e lavadinho.
O rapaz aproximou-se de Bella, agarrando-lhe nas mãos. Foi quando a jovem reparou nas várias pulseiras e anéis de ouro que o rapaz usava. Mas o que realmente interessava é que Bella parecia ter mel. O rapaz não conseguia estar menos de 30 segundos sem se dirigir à jovem:
- "Sou perigoso. A minha vontade é de..." - disse o rapaz.
- "Sim..." - esperou Bella, ansiosa.
- "(...) De te limpar todinha!" - completou o rapaz.
- "De me limpar?!" - exclamou a jovem, que não estava mesmo a perceber nada da conversa.
- "Sim. Tens tudo o que uma besta como eu precisa para viver. Não sou vampiro ou morcego, aliás, comparados comigo, essas duas criaturas são inofensivas. Sou um chupista do pior... mas sangue não é de todo vital para mim. Prefiro limpar carteiras, malas, jóias, rendimentos mínimos, casas à borliú, por aí..." - explicou o jovem.
- "Sim. Tens tudo o que uma besta como eu precisa para viver. Não sou vampiro ou morcego, aliás, comparados comigo, essas duas criaturas são inofensivas. Sou um chupista do pior... mas sangue não é de todo vital para mim. Prefiro limpar carteiras, malas, jóias, rendimentos mínimos, casas à borliú, por aí..." - explicou o jovem.
- "Então és o quê?" - perguntou Bella, já aterrorizada com a conversa.
- "Sou cigano, lélo para os amigos." - concluiu o rapaz.
Bella estava mais que assustada... incrédula! Não queria acreditar que criaturas como aquelas existissem em Garfos.
- "Sou cigano, lélo para os amigos." - concluiu o rapaz.
Bella estava mais que assustada... incrédula! Não queria acreditar que criaturas como aquelas existissem em Garfos.
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