
Quando alguém morre, é comum o culto do corpo e uma manifestação de dor e pesar, acompanhada de um ritual centenário. Já em Eras anteriores se enterravam os corpos, embora actualmente seja mais comum o enterrar de um morto, deixando os vivos laurear a pevide.
As cerimónias fúnebres, sempre tão populares, tornaram-se um antro de vaidades e interesses demais. Ora se o morto é do Jet 7, é de esperar televisões, jornalistas e fotógrafos, a acompanhar aquele marco tão importante na história do agora falecido. E é sempre de louvar a imagem da cara do defunto, com direito a comentários da plebe e a carpideiras profissionais que choram sem nunca terem trocado duas palavras com o morto. "Coidadinho, morreu cedo demais. Eu gostava muito de o ver na Televisão." - diz o povinho à porta das casas mortuárias.
Quem sabe se a moda não pega? É do conhecimento geral que para actualizarmos o nosso livro de autógrafos ou garantir os nossos 5 minutos de fama bastará ir a um funeral de gente conhecida. Vemos logo uma dúzia de socialites... e quem sabe não somos entrevistados?! Assim, um dia podemos dizer aos nossos netinhos: "Sabes, apareci na TV no funeral da Amália. E foi lá que vi pela primeira vez a mulher do Saramago... e depois no funeral do Saramago vi o próprio, mas já tão velhinho, tão velhinho, coitadinho...".
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