
Apesar de contrariada, Bella, de 22 anos, mudou-se de armas e bagagens para Garfos. Depois do divórcio, o pai da jovem, ex-ministro do Governo de Cavaco Silva, decidira deixar o stress da vida de administrador do Banco do Estado para abraçar um sonho antigo... o campo. Tinha várias reformas chorudas acumuladas, o que lhe conferia uma situação financeira confortável para mudar radicalmente de vida. Tinha comprado uma pequena casa à beira da estrada, suficientemente grande para albergar a filha, que aceitou o convite não por querer ser agricultora, mas porque a Universidade de Garfos tinha o curso que queria. Para além disso, a mãe estava a ver despejada da sua casa ilegal na Serra da Arrábida e não podia correr o risco de ficar sem tecto.
No dia em que Bella chegou a Garfos, dizia-se que, na noite anterior, uma jovem tinha sido encontrada inconsciente na mata que cercava a vila. Quando as autoridades chegaram ao local, depararam-se com uma situação muito pouco comum para os Garfenses: a jovem, filha de pais ricos e habitualmente muito bem vestida, tinha sido totalmente "rapinada" - para além da mala e da carteira, tinham-lhe levado a roupa e as jóias. As marcas no corpo não enganavam... tinha sido atacada por uma besta feroz, empenhada em sugar tudo à sua frente.
Mas Bella não se deixou intimidar. No dia seguinte à sua chegada, acordou bem cedo... queria causar boa impressão no seu primeiro dia de aulas. No entanto, contrariamente ao que seria de esperar, não vestiu roupas muito extravagantes. Não queria ser reconhecida pelos colegas como a filha do ex-ministro que por cunha tinha entrado na prestigiada universidade local.
A pressa era tanta em chegar ao seu Smart 2 lugares, que nem se desviou de um rapaz que passava perto da viatura. O encontrão fez com que os cadernos de Bella caíssem estatelados no chão. O rapaz, moreno, de cabelos compridos e entroncado, baixou-se para gentilmente ajudar a jovem. Quando se levantou, entregou os pertences a Bella e aproveitou para se apresentar:
- "Olá. O meu nome é Jacob. Espero não te ter magoado." - disse ele.
Bella agradeceu a amabilidade.
- "Sou o teu vizinho do lado. Sei que és nova por aqui... se precisares de alguma coisa, é só chamares." - exclamou Jacob, sorrindo. E seguiu o seu caminho...
Bella entrou no carro. Tinha sentido um calafrio quando Jacob lhe tocou, mas procurou não pensar nisso. Continuou estrada fora...
Apesar de ter chegado relativamente cedo, o estacionamento na universidade parecia ser problema para a generalidade das pessoas. Mas não para Bella. O seu Smart 2 lugares arrumava-se em qualquer buraco. O que era uma vantagem.
Fechou o carro e enquanto caminhava para a porta principal do edifício ouviu o som de uma música que não lhe era nada familiar. Vinha de um BMW cinza, que, apesar da confusão, encontrou um estacionamento bem no centro do recinto. Da música, apenas percebera o refrão: "Volaré, oh oh, Cantaré, oh oh oh oh...". Do carro saíram 5 pessoas, que, apesar da neblina que se fazia sentir, usavam óculos de sol escuros. A pele morena diferenciava-os dos restantes habitantes de Garfos. - "Onde tinham eles arranjado aquele bronze?" - questionou Bella. Sem esboçarem um único sorriso, os 5 jovens marcharam com estilo em direcção ao edifício principal. Eram o centro das atenções dos alunos da universidade. Um deles retirou os óculos, olhou para Bella e seguiu. - "Ora aí está alguém com quem não te deves meter." - exclamou uma rapariga que passou naquele preciso momento junto de Bella. Mas a jovem estava intrigada. Quem seriam aquelas 5 pessoas, que fizeram "parar o trânsito" na Universidade de Garfos?
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