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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Saga Twilight: O Elipse da Lua Nova ao Amanhecer - Cap. IV


Afinal o mito era bem real: os ciganos existiam! Bella estava boquiaberta com tamanha revelação. Esperava tudo: vampiro, lobisomem, frankenstein, duende, qualquer coisa... menos cigano! Pensava que criaturas como aquelas só existiam nos filmes. Contudo, ali estava um representante da espécie, bem diante dos seus olhos, em carne e osso... a prova de que a realidade supera a ficção.

No entanto, apesar da revelação e de todas as ameaças do rapaz, Bella estava aparentemente calma. O medo que sentira, há minutos atrás, estava aos poucos a desaparecer. É que depois de contar o segredo, o rapaz adoptou uma expressão muito mais dócil e simpática. Parecia que tinha tirado um peso dos ombros. Por isso, havia agora margem de manobra para uma interacção bem mais calorosa entre os dois.
- "O meu nome é Edward. Na universidade ouvi chamarem-te Bella." - disse o rapaz, esticando a mão. A jovem respondeu ao cumprimento.
- "E não tens medo de mim?" - perguntou o rapaz.
- "Se até agora não me limpaste, já não o vais fazer." - advertiu Bella.
- "Tens razão. Apesar de vontade não me faltar, há qualquer coisa em ti que me não me deixa avançar." - explicou Edward.

Foi naquele preciso momento que a situação se alterou por completo. A neblina que habitualmente cobria a Mata de Garfos acabou por se dissipar, como que por magia, dando lugar a uns tímidos raios de sol, que por entre as árvores faziam um incrível efeito, quais rasgos de luz por entre a escuridão. Mas para além do cenário, algo mais se tinha alterado. Bella olhava agora para Edward de uma maneira estranha, como que a reparar em pormenores que lhe tinham escapado inicialmente. É que o sol tinha um efeito trágico na espécie: revelava as verdadeiras características dos ciganos, escondidas anteriormente pela neblina: a pele de Edward, que há segundos atrás era morena, mas bastante limpinha, mostrava agora placas grossas de sujidade, como se não fosse lavada há pelo menos 500 anos, no mínimo. Por detrás do pescoço então, era um exagero; a unha do dedo mindinho, da mão direita, tinha o tamanho do dedo indicador. De acordo com o mito, servia para limpar sujidade em locais inóspitos e de difícil acesso; a camisa, aberta até ao terceiro botão, para além de mostrar uma quantidade infindável de fios, mostrava agora uma carpete de penugem, que mais parecia o matagal do Pinhal de Leiria, mas em preto; na cara, uma barba mal semeada cobria-lhe o rosto; e o cheiro, que anteriormente era agradavelmente suave, agora não se suportava. Quaisquer semelhanças com um macho latino acabado de sair do ginásio, sem tomar banho, é pura coincidência.

O contacto com o sol parece ser de facto o calcanhar de Aquiles de muita gente. Mas enquanto uns brilham, outros sujam-se. São ambas formas justas de mostrar o seu verdadeiro Eu, no entanto, uma é mais agradável que outra.

Mas se a revelação de que Edward era cigano surpreendeu Bella, a transformação aos raios de sol deixou-a de queixo caído. E ela, que até era uma rapariga difícil de surpreender. Mas de facto, de um momento para o outro, o príncipe virou sapo.
- "Agora vês como realmente sou. É da luz do sol..." - esclareceu Edward.
- "Cada um é como é... não será isso que me afastará de ti." - exclamou Bella, apesar da sua cabeça dizer precisamente o contrário.
Foi o que Edward precisou de ouvir para pegar a jovem nos braços e leva-la até um pequeno descampado, que se destacava do arvoredo que os rodeava. Deitaram-se no chão, um ao lado do outro, e apesar da cara de enjoada de Bella, deram as mãos... a medo.

domingo, 15 de agosto de 2010

Saga Twilight: O Elipse da Lua Nova ao Amanhecer - Cap. III


E ali estava Bella, no meio da Mata de Garfos, com o rapaz que há horas atrás esteve prestes a despejar-lhe em cima o tão famoso "Vomito", uma mistela natural, sem corantes nem conservantes, que muitos diziam revitalizar corpo e mente. Contudo, para a jovem, o mais importante era sentir-se acompanhada num local cujo chão nunca tinha pisado e que, pela fisionomia, impunha um certo respeito. A neblina e o silêncio ensurdecedor conferiam-lhe um carácter misterioso arrepiante, que gerava em Bella um misto de sentimentos: por um lado, alivio, por outro, medo. No entanto, ao mesmo tempo, a jovem não conseguia deixar de sentir uma forte atracção pelo incrível contraste de cores do cenário que a rodeava: o cinzento das nuvens de humidade penetrava por entre o verde do musgo nas rochas; o vermelho das bagas de azevinho salpicavam o castanho dos arbustos mais secos; e o branco do vestido de Bella contrastava com o preto das vestes do misterioso rapaz, que em frente a si, imóvel, penetrava os olhos da jovem com um olhar fixante.

Era uma situação muito desconfortável, que Bella não aguentava mais. Estava tudo demasiado calmo para o seu gosto. Por isso, deu o primeiro passo e dirigiu-se ao rapaz, com intuito de estabelecer contacto:
- "Por favor não me vomites em cima. Por favor não me vomites em cima." - repetia a jovem, para si mesma, enquanto caminhava. E ali estava ela, em frente a uma estátua em forma de gente... um rapaz que nunca tinha visto mais gordo, mas cujo olhar, há horas atrás, tinha ficado com a percepção de que era negro como a noite e reparara agora que era claro como o dia.
- "Estranho!" - pensou Bella. No que diz respeito a rapazes, era raro enganar-se. Por isso, para ela, ali havia gato... a bota não batia com a perdigota. Daí a sua primeira reacção ter sido questionar o rapaz do porquê das diferenças no olhar:
- "Os teus olhos, estão diferentes..." - disse Bella, com ar de enjoada. O jovem não respondeu.
- "Reparei no parque de estacionamento da universidade que os teus olhos eram pretos. Agora estão claros. Estarei a ver mal?" - voltou a insistir Bella. O rapaz fechou os olhos e desviou a cara no sentido do
ombro direito.
- "Hey, estás surdo, mudo ou és apenas mal educado?" - questionou a jovem. Foi o suficiente para que, num gesto rápido como um flash, o rapaz agarrasse o pescoço de Bella e lhe respondesse ao ouvido: - "Sou mal educado, feio, porco e mau. Devias ter mais cuidado quando te diriges a mim. Sabes o que eu sou?" - disse-lhe o rapaz misterioso.

Bella já mal conseguia respirar quando o rapaz a soltou. Ela gostava de homens violentos, mas assim tanto também não. O ex-namorado tinha sido o capitão de equipa de Futebol Americano do Colégio Internacional da Quinta do Lago, o que revelava bem o requintado gosto da nova coqueluche de Garfos. De mãos no pescoço, a jovem só conseguia pensar na pergunta que o rapaz lhe tinha acabado de fazer. O que seria ele afinal? Vampiro?! Não de certeza! A cruz preta que trazia ao pescoço e que saia da camisa aberta até ao terceiro botão fê-la excluir imediatamente essa hipótese. Lobisomem?! Não! Era demasiado magro. Para além disso, se o fosse, andava com certeza de calções rasgados e de peito ao léu nas mais bizarras situações. Então seria o quê? Bella estava intrigada. É que não fazia a mínima ideia de que criatura seria aquele "naco de carne", aparentemente tão bem parecido e lavadinho.

O rapaz aproximou-se de Bella, agarrando-lhe nas mãos.
Foi quando a jovem reparou nas várias pulseiras e anéis de ouro que o rapaz usava. Mas o que realmente interessava é que Bella parecia ter mel. O rapaz não conseguia estar menos de 30 segundos sem se dirigir à jovem:
- "Sou perigoso. A minha vontade é de..." - disse o rapaz.
- "Sim..." - esperou Bella, ansiosa.
- "(...) De te limpar todinha!" - completou o rapaz.
- "De me limpar?!" - exclamou a jovem, que não estava mesmo a perceber nada da conversa.
- "Sim. Tens tudo o que uma besta como eu precisa para viver. Não sou vampiro ou morcego, aliás, comparados comigo, essas duas criaturas são inofensivas. Sou um chupista do pior... mas sangue não é de todo vital para mim. Prefiro limpar carteiras, malas, jóias, rendimentos mínimos, casas à borliú, por aí..." - explicou o jovem.
- "Então és o quê?" - perguntou Bella, já aterrorizada com a conversa.
- "Sou cigano, lélo para os amigos." - concluiu o rapaz.
Bella estava mais que assustada... incrédula! Não queria acreditar que criaturas como aquelas existissem em Garfos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Saga Twilight: O Elipse da Lua Nova ao Amanhecer - Cap. II


O professor de Espanhol Técnico ainda não tinha chegado, quando Bella entrou na sala de aula. As carteiras preenchidas faziam prever uma sessão animada. Bella estava ansiosa por começar uma das cadeiras basilares do curso, o mesmo que o seu pai tinha tirado na juventude e que lhe valeu uma licenciatura em tempo record. Actualmente era professor na universidade "Rosé Socratés", o maior expert em Espanhol Técnico do Mundo. Por isso, para além de Bella encarar esta nova etapa da sua vida como uma passagem de testemunho, estava super motivada por ter como seu formador um homem com o grau de conhecimento em Espanhol como "Rosé". "Era uma honra seguir as pisadas honestas do pai e um privilégio frequentar aquele curso." - pensou.

Todos os lugares da sala, criteriosamente arrumados dois a dois, estavam preenchidos, à excepção de um... mesmo em frente à mesa do professor. Era o único disponível, por isso, não restava nenhuma outra opção à novata da turma. Bella não precisou de muito tempo para perceber que o seu futuro colega de carteira era um dos 5 jovens que tinha causado sensação no parque de estacionamento da universidade. E, por coincidência, era exactamente aquele que retirara os óculos e olhara para ela há minutos atrás. De pele bronzeada, olhos escuros, cabelo acastanhado e uma poupa espetada de fazer inveja a muito rapaz, o jovem era considerado pelas raparigas como o sex symbol da turma. No entanto, apesar do honroso título, era também encarado como um inexplicável e misterioso caso de isolamento.

Bella sentou-se e, como manda a boa educação, apresentou-se, estendendo a mão direita ao colega de carteira. No entanto, subitamente, o jovem levantou-se, de mãos na boca, como se estivesse com uma aparente vontade de vomitar e aquele gesto o tivesse salvo de deitar o que quer que seja para cima da colega. Bella estava estupefacta. Nunca nenhuma outra pessoa a tivera negado com tanta violência e falta de educação. No entanto, apesar da situação, a novata da turma sentiu uma sensação estranha quanto se dirigiu ao rapaz. Era algo muito mais profundo do que o nervosismo de ter estado prestes a levar com um croissant misto com manteiga, desfeito em leite com chocolate e sumo de laranja. Mas sem querer pensar mais no assunto, entregou-se ao Espanhol Técnico. A aula continuou sem o rapaz...

Naquele dia, Bella cumpriu o horário a 100% e em nenhuma outra aula voltara a ver o jovem que lhe ia oferecendo um segundo pequeno-almoço. Aliás, nem ele, nenhum outro dos seus 4 companheiros do BMW cinza. O que se teria passado para todos desaparecerem sem deixar rasto? Será que a refeição matinal lhes deu a volta à tripa?

Era hora de voltar para casa. Bella dirigia-se para o seu Smart 2 lugares, quando uma mão morena a puxou, deitando por terra os cadernos da jovem. Sem se aperceber muito bem como, Bella estava agora caída no meio da mata. Ainda gritou, pedindo socorro, mas parecia estar tão embrenhada no matagal de pinheiros bravos, que nenhuma alminha de Garfos a ouviu. Bella ficou ainda mais desesperada quando viu mexer um dos arbustos à sua frente. No entanto, surpreendentemente, do seu interior saiu o jovem que, de manhã, quase lhe tinha oferecido um pequeno-almoço 5 estrelas, que incluía saliva, suco gástrico, suco pancreático e bílis. Era a chamada promoção pague 1, leve 5. Mas Bella procurou apagar essa imagem da cabeça. Estava agora mais aliviada por ver uma pessoa por perto. Mas será que o jovem mistério estava ali para ajudar?

domingo, 1 de agosto de 2010

Saga Twilight: O Elipse da Lua Nova ao Amanhecer - Cap. I


Garfos era uma pequena localidade nos arredores de Loures, cercada por uma intensa mata, que muitos diziam estar amaldiçoada. Porém, o mito não impedia o povo de fincar raízes na pacata vila, cujas planícies lhe conferiam uma beleza natural diferente das localidades vizinhas. O sol, que abundava na maior parte das vezes no resto do país, parecia não penetrar em Garfos. A vila estava constantemente coberta por um nevoeiro cerrado inexplicável, que lhe dava um cariz misterioso apaixonante.

Apesar de contrariada, Bella, de 22 anos, mudou-se de armas e bagagens para Garfos. Depois do divórcio, o pai da jovem, ex-ministro do Governo de Cavaco Silva, decidira deixar o stress da vida de administrador do Banco do Estado para abraçar um sonho antigo... o campo. Tinha várias reformas chorudas acumuladas, o que lhe conferia uma situação financeira confortável para mudar radicalmente de vida. Tinha comprado uma pequena casa à beira da estrada, suficientemente grande para albergar a filha, que aceitou o convite não por querer ser agricultora, mas porque a Universidade de Garfos tinha o curso que queria. Para além disso, a mãe estava a ver despejada da sua casa ilegal na Serra da Arrábida e não podia correr o risco de ficar sem tecto.

No dia em que Bella chegou a Garfos, dizia-se que, na noite anterior, uma jovem tinha sido encontrada inconsciente na mata que cercava a vila. Quando as autoridades chegaram ao local, depararam-se com uma situação muito pouco comum para os Garfenses: a jovem, filha de pais ricos e habitualmente muito bem vestida, tinha sido totalmente "rapinada" - para além da mala e da carteira, tinham-lhe levado a roupa e as jóias. As marcas no corpo não enganavam... tinha sido atacada por uma besta feroz, empenhada em sugar tudo à sua frente.

Mas Bella não se deixou intimidar. No dia seguinte à sua chegada, acordou bem cedo... queria causar boa impressão no seu primeiro dia de aulas. No entanto, contrariamente ao que seria de esperar, não vestiu roupas muito extravagantes. Não queria ser reconhecida pelos colegas como a filha do ex-ministro que por cunha tinha entrado na prestigiada universidade local.

A pressa era tanta em chegar ao seu Smart 2 lugares, que nem se desviou de um rapaz que passava perto da viatura. O encontrão fez com que os cadernos de Bella caíssem estatelados no chão. O rapaz, moreno, de cabelos compridos e entroncado, baixou-se para gentilmente ajudar a jovem. Quando se levantou, entregou os pertences a Bella e aproveitou para se apresentar:
- "Olá. O meu nome é Jacob. Espero não te ter magoado." - disse ele.
Bella agradeceu a amabilidade.
- "Sou o teu vizinho do lado. Sei que és nova por aqui... se precisares de alguma coisa, é só chamares." - exclamou Jacob, sorrindo. E seguiu o seu caminho...
Bella entrou no carro. Tinha sentido um calafrio quando Jacob lhe tocou, mas procurou não pensar nisso. Continuou estrada fora...

Apesar de ter chegado relativamente cedo, o estacionamento na universidade parecia ser problema para a generalidade das pessoas. Mas não para Bella. O seu Smart 2 lugares arrumava-se em qualquer buraco. O que era uma vantagem.

Fechou o carro e enquanto caminhava para a porta principal do edifício ouviu o som de uma música que não lhe era nada familiar. Vinha de um BMW cinza, que, apesar da confusão, encontrou um estacionamento bem no centro do recinto. Da música, apenas percebera o refrão: "Volaré, oh oh, Cantaré, oh oh oh oh...". Do carro saíram 5 pessoas, que, apesar da neblina que se fazia sentir, usavam óculos de sol escuros. A pele morena diferenciava-os dos restantes habitantes de Garfos. - "Onde tinham eles arranjado aquele bronze?" - questionou Bella. Sem esboçarem um único sorriso, os 5 jovens marcharam com estilo em direcção ao edifício principal. Eram o centro das atenções dos alunos da universidade. Um deles retirou os óculos, olhou para Bella e seguiu. - "Ora aí está alguém com quem não te deves meter." - exclamou uma rapariga que passou naquele preciso momento junto de Bella. Mas a jovem estava intrigada. Quem seriam aquelas 5 pessoas, que fizeram "parar o trânsito" na Universidade de Garfos?
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