
Estamos no ano de 2025 e apesar de todas as promessas eleitorais, Leandro não é o único licenciado carteiro. Profissão digna, contudo, não aspirante a grandes subídas profissionais. Já poucas cartas há a distribuir, o e-mail foi eleito o meio de comunicação privilegiado e já nem as contas para pagar chegam em forma em papel.
Leandro passa as suas horas de expediente a entregar cartas a um pequeníssimo segmento da população, que ainda não se converteu às novas tecnologias. Mas seguem-se dias e dias sem que o jovem distribua uma única carta. Já nem a publicidade o salva da monotonia. Todos os panfletos, folhetos e afins foram substituídos por painéis interactivos, distribuidos pelo país.
Leandro, como qualquer carteiro, vê a sua profissão ameaçada e teme um futuro díficil. Existem apenas 50 carteiros em todo o território nacional e muitos não aguentam as 8 horas diárias que passam a trabalhar, salivando por um pequeno envelope com destinatário.
Na vivacidade dos seus 24 anos, Leandro decide fazer uma manif pelas ruas do Porto, cidade onde tenta a todo custo distribuir correspondência. Contudo, não estava só. Conscientes dessa manif, estavam do outro lado os "Defensores da Natureza", que acreditavam que o fim das cartas era o mais revolucionário feito desde que tinham, em 2020, parado com produção do mata-moscas de plástico. "Não às Cartas, salvem as Matas!" - gritavam bem alto os ambientalistas.
Esta manifestação sensibilizou os mais vulneráveis, aquele pequeníssimo segmento da população que ainda não se tinha convertido às novas tecnologias e que agora tinha decidira fazê-lo. O resultado: Leandro viu o seu posto de trabalho extinguir-se em menos de uma semana. Nada mais havia a distribuir e o jovem confinava-se agora, como tantos outros carteiros, ao aterro sanitário, onde trabalhava à noite para juntar uns trocos.
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