
Amélia era uma loira trintona e bem parecida, que vivia sozinha. Com o seu ar espevitado, bradava aos 7 ventos que era muito independente. Mas no fundo, no fundo, não era capaz de viver na solidão do seu apartamento. Partilhava o seu T2 com 3 canidíos, 2 gatos e alguns pássaros. Por vezes um ou outro roedor visitava o lar, mas era facilmente engolido pelas mandíbulas do Gabana, cão de porte alto e de pelugem negra. Barbie, por seu lado, era a gata preferida de Amélia. De coleira rosa com brilhantes, era sem dúvida o animal sensação do prédio 31.
Amélia procurava estar sempre na moda. Usava saltos altos todas as vezes que saía à noite e, por morar no 2º andar, fazia questão de pisar todos os degraus que a dirigiam até casa. Os tacões ecoavam escadas cima, a altas horas da madrugada, quais badaladas que previam uma "destransformação" de princesa em Gata Borralheira.
Assim que a esbelta moça, de cabelos doirados, inseria a chave na fechadura, de dentro do seu T2 ecoavam latidos estridentes, que se misturavam com os sons de alguns objectos a serem deitados ao chão, tal era a excitação dos seus animais pela chegada da dona. Feliz e contente, costumava entrar dentro de casa e dar um "gentil" berro a cada cão. Gabana era o mais sacrificado. Por estes efeitos sonoros, Mélinha, nome que a popularizava, era bem conhecida no Nº 31 da Rua da Petisqueira. Mas outros factos faziam de Amélia a loira mais bombástica da zona…
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