
Bólide era um Opel Corsa, de 1990, a gasolina e com 5 portas. Era um carro estável, apesar da idade. Há anos que vagueava pelas ruas de Lisboa, nunca tendo saído da capital. Tinha poucos amigos, já que Zé Termoço, o seu proprietário, fazia questão de lhe colocar uma capa de protecção contra a chuva, sol ou os olhares indescretos da vizinhança.
No entanto, apesar dos seus 10 anos de estima e cuidado, Bólide era infeliz. Desde muito cedo que sonhara ter dois pneus de conversa com um automóvel mais moderno. Nada sabia de mudanças automáticas, ar condicionado ou direcção assistida.
O Seguro estava sempre em dia e o cadastro do seu proprietário não apresentava qualquer agravamento por acidentes ou coimas.
A verdade é que este Opel Corsa nunca experimentara grandes velocidades - 80 km/h foi o seu record pessoal, marca orgulhosamente atingida no dia em que Maria Termoço dera à luz o Joãozinho.
A 4 de Dezembro de 2009, época de Inverno rigoroso, Zé Termoço acordou cedo e cedo entrou no seu chaço de estimação.
A viagem conturbada, por estradas desconhecias, levaram o Bólide a questionar-se: "Para onde me estão a levar?".
Cerca de 2 horas depois entrara numa pequena vila de Torres Vedras... à sua frente um concessionário anunciava: "Troque o seu carro velho".
Bólide sentiu um arrepio no motor. Não se previam boas notícias...
Zé Termoço entrara no stand, dirigindo-se a um rapaz novo, alto e bem vestido. Depois seguiu para um pequeno escritório, um sítio mais recatado, onde Bólide não mais o viu.
Foi o tempo de espera mais díficil da vida do automóvel. Meia hora passou e Zé Termoço saiu do stand com um sorriso no rosto. Passou por Bólide e com uma pancada no capô disse: "Até um dia, rapaz!". Entrou num Mercedes, de cor creme, que exclamou baixinho para o antigo companheiro de Zé Tremoço: "Já fui um táxi, agora sou um particular!".
Bólide não queria acreditar. Com apenas 100 mil quilómetros de rodagem, "levar os palitos" de um carro que certamente teria andado muito mais?!
O seu fim era certo... fatal como o destino: vendido por uma bagatela a um ferro velho local. Ainda por cima às peças, destino comum de tantos outros chaços em Portugal.
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