terça-feira, 14 de setembro de 2010

O maior da aldeia - Cap. I: "Vamo Zimbora!"


Entre os finais do séc. VIII e XI, numa época em que a forma da Terra teimava em permanecer um prato raso, o Homem vivia em pequenas aldeolas, no meio de nada, onde tagarelar sobre a vida dos outros, comer demais e dormir muito eram considerados sintomas de uma vida agitada. É que para além da habitual época de caça, não haviam muitos mais momentos com acção suficiente para chamar a atenção das populações. No entanto, esperavam-se ventos de mudança: por um lado, os velhos druidas preconizavam um fim do mundo épico, por outro, os cientistas locais previam, finalmente, a evolução do planeta, de um prato raso, para um abafador gigante, digno de um jogo de berlindes entre o Godzilla e o King Kong. Porém, tudo permanecia demasiado calmo e sem graça...

Zimbora era o exemplo mais flagrante da passividade que assolava as populações mundiais. Situada no norte da Europa, a pequena localidade era conhecida nas redondezas por dois aspectos: 1 - pelas várias sestas que os seus habitantes dormiam ao longo do dia; 2 - pela gastronomia ideal para "encher o bandulho". Acção? Só mesmo ao deitar, no conforto de cada lar. É que os zimborenses podiam ser preguiçosos e muito dados a enfartes, mas não deixavam a taxa de natalidade em mãos alheias. Era a mais alta da região.

No entanto, apesar da Preguiça e Gula serem dois pecados mortais levados muito a sério em Zimbora, a aldeia era abençoada com maravilhas naturais surpreendentes. O "deus" dos druidas ou o "ninguém" dos cientistas, como quiserem, tinha sido generoso com os zimborenses: as montanhas que rodeavam a aldeia pareciam não ter fim, penetrando o céu como estacas; A área florestal envolvente, de um verde vivo fora de série, fazia de Zimbora a casa de todas as vacas; Já o rio, que atravessava de uma ponta à outra a aldeia, parecia um espelho em forma de minhoca - águas cristalinas e margens sinuosas eram as principais características a destacar.

A destoar do cenário paradisíaco estava uma fedor intenso, que pairava sobre a localidade e que era diferente de tudo o que as narinas dos zimborenses já tinham cheirado. Parece é que, pela primeira vez, o responsável por todos os males do mundo não tinha culpas no cartório. O terrível dragão, que habitava as águas onde pairava, como uma nave espacial, o prato a que os terráqueos chamavam de planeta, estava sossegado no seu canto há pelo menos 15 dias. Nem os habituais arrotos, causadores de violentas tempestades, ele dava mais com tanta intensidade. Era, portanto, uma situação desagradável, que deitava por terra a reputação de "cantinho da Terra", que a aldeia de Zimbora tinha ganho ao longo dos séculos junto dos vizinhos. Sem dúvida um caso de polícia, ou melhor... de héroi! Um caso para investigar e resolver. Um caso para Zaniel, o maior da aldeia...

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